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A importância da neuroaprendizagem

17 de março de 2016 //

O SUPERA Neuroeducação entrevistou essa semana Solange Jacob, Diretora Pedagógica Nacional do SUPERA e mestranda em Processos Cognitivos pela Universidade de Validolid, Espanha, sobre neuroaprendizagem:

  1. Como podemos definir o conceito de neuroaprendizagem?

A Neuroaprendizagem é a aprendizagem baseada no cérebro, aos assuntos ligados à cognição: funções executivas como a linguagem, memória de trabalho, flexibilidade mental, controle inibitório, memória, tomada de decisão, foco atencional, abstração, planejar e coordenar comportamentos, capacidade empática, capacidade de se automonitorar, entre outros.

  1. Quais regiões do cérebro são estimuladas durante o processo de neuroaprendizagem? Como cada uma delas age nesse momento?

Para aprender, são necessárias inúmeras conexões neurais em que o cérebro funciona como uma orquestra para acessar a informação que é estocada em múltiplas áreas.

A múltipla memória e múltiplas vias neuronais são simultaneamente acionadas para dar significado às novas informações, em que o trabalho de cada parte deve ser visto como um todo integrado e harmonioso.

A aprendizagem é mente e corpo: movimento, alimentação, ciclos de atenção e aprendizagem construída quimicamente por meio da plasticidade cerebral (a capacidade do cérebro de modificar seu funcionamento, se reorganizar estruturalmente e se adaptar em resposta à experiência e a estímulos repetidos).

O que determina quais áreas serão mais ou menos acionadas são as experiências do ambiente, especialmente as situações que refletem o contexto da vida real, de forma que a informação nova se “ancore” na compreensão anterior.

Os diferentes tipos de aprendizagem estão relacionados com tipos de memórias. Para isso, usamos diferentes áreas anatômicas dos hemisférios cerebrais: o córtex frontal (pensamento, raciocínio, juízo crítico, percepção, atenção) o hipocampo (memória) o sistema límbico (emoções e memória) e o mesencéfalo (visão audição, movimentos oculares e o sistema motor).

  1. Esse conceito pode ser considerado “novo”? Como pedagogos, professores e outros profissionais de educação podem fazer para adaptar seu trabalho tradicional aos conceitos de neuroaprendizagem?

Não é novo, mas são recentes as suas implicações para a aprendizagem.

Para os profissionais da educação se adaptarem, é preciso organizar estratégias de ensino e aprendizagem para a totalidade do cérebro, de maneira a potencializar de modo integrado e harmonioso as suas potencialidades.

Aprender é a capacidade natural do cérebro de integrar informações de uma maneira que permita que o cérebro extraia padrões delas. Ou seja, organizar e categorizar as informações. Isto se faz em conjunto: cérebro, comportamento, ambiente rico em experiências e tempo e oportunidade para que os alunos compreendam suas experiências e se beneficiem de um aprendizado de qualidade.

Aprender é processar a informação de tal forma que ao se retomar ao “objeto” de estudo, seja feito um esforço menor do que o inicial. Desta maneira, criam-se vias expressas neuronais para o aprendizado (o aumento da memória de reconhecimento – quando um assunto é reconhecido por quando é repetido – resulta da redução do processo e traz agilidade ao pensamento).

O cérebro precisa tanto de estabilidade quanto de desafio, isto significa que o ambiente da aprendizagem precisa fornecer estabilidade e familiaridade, por isso variedade, novidade e grau de desafio crescente devem ser os princípios de um ambiente de aprendizagem motivador, dinâmico e criativo.

O cérebro precisa do que é familiar e automaticamente o registra, ao mesmo tempo em que procura estímulos adicionais do ambiente e reage a eles. A circuitaria neuronal opera simultaneamente e interage com os mais variados canais de entrada da informação.

  1. Existem dicas práticas para aplicar a neuroaprendizagem em nosso dia a dia? Quais seriam elas?

Como aprender significa modificar-se, é preciso criar condições favoráveis ao aprendizado ancoradas sobretudo em emoções.

Um evento carregado de emoção provoca mudanças significativas no cérebro, de forma que planejar intencionalmente momentos de aprendizagem oferece possibilidades de treinar as funções executivas e reunir os materiais para criar o tipo de ambiente de conhecimento natural que permite que os alunos façam o maior número possível de conexões. Significa que a aprendizagem é orientada para a atividade de modo a oferecer mais possibilidades de aprender a aprender.

O cérebro é social, desenvolve-se melhor em contato com outros cérebros. O cérebro se modifica estruturalmente como resultado da experiência. A questão é promover um ambiente de boas experiências com complexidade suficientes para provocar mudanças cognitivas na estrutura do cérebro.

Promover “experiências complexas” significa promover situações em que seja possível experimentar tentativas e aproximações ao gerar hipóteses e validação de evidências que estimulam o cérebro a perceber, detectar e a gerar padrões quando se testam as hipóteses levantadas.

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