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Agilidade em cálculos mentais

10 de julho de 2014 //

Em quantas situações da vida você precisa usar sua capacidade de calcular? No troco do supermercado, na prova de matemática ou na hora de administrar as contas de casa… são inúmeras situações e, em muitos casos, nem nos damos mais conta. O processo é automático.

As pessoas que têm facilidade para fazer contas, em geral, são pessoas que automatizam os cálculos mentais. Quando desenvolvemos técnicas de cálculo mental, mesmo que de forma inconsciente, ativamos áreas envolvidas com o processamento de informações (áreas chamadas parietais), ou seja, que processam o que vemos, ouvimos e sentimos, tornamos os cálculos automáticos. Uma das formas de ativar áreas cerebrais responsáveis por isso é praticar o ábaco, um instrumento milenar de cálculo muito usado pelos orientais.

“O ábaco permite fazer isso porque ele é uma vivencia sensorial bastante realista das quantidades numéricas e, à medida que você mexe com o ábaco, vivencia como é que as quantidades se relacionam entre si”, afirma Dra. Carla Tieppo, neurocientista consultora da rede SUPERA Ginástica para o Cérebro.

Ela explica que, de acordo com estudos científicos, as pessoas que não conseguem automatizar o processo de cálculo trabalham muito com o córtex pré-frontal, uma estrutura que consome muita energia e mobiliza todo o funcionamento cerebral. Estas pessoas costumam perder a conta com frequência e, cada vez que elas recomeçam do zero, retomam com menos energia, o que reduz a possibilidade de sucesso na conta.

Já as pessoas que têm facilidade com os cálculos matemáticos usam uma parte do cérebro que constrói uma ideia sobre os números que está diretamente relacionada à quantidade que aquele número representa.

Assim, quando precisam fazer cálculos, usam várias aproximações que levam a quantidade em consideração e passam a fazer esses cálculos mentalmente, desenvolvendo sua capacidade para cálculos mais complexos.

O ábaco pode ensinar ao cérebro como pensar em números como quantidades. “Mesmo sem perceber, ao fazer o treinamento do uso do ábaco, a pessoa coloca para funcionar as mesmas áreas cerebrais que estão ativas em quem faz cálculos mentais complicados. Quanto mais aprofundado for o treinamento, maiores serão os ganhos em agilidade mental e o uso de novos circuitos para raciocinar”, explica Dra. Carla Tieppo.

Ao treinar com o ábaco automatizamos os cálculos e logo nosso cérebro, mentalizando o ábaco, fará cálculos complexos de cabeça. Esse aprendizado também pode ser utilizado para acelerar outros tipos de raciocínio porque ajudou a desenvolver novas áreas cerebrais.

Matemática é ensinada da forma apropriada?

O cérebro de quem tem facilidade para cálculos mentais ativa uma área que proporciona à pessoa uma ideia sobre os números diretamente relacionada à quantidade que este número representa. A velocidade com que fazem a conta é devido a aproximações de valores que essas pessoas são capazes de fazer.

Quando a dificuldade em calcular de cabeça aparece, algumas pessoas tentam usar regrinhas decoradas nas aulas de matemática, o que as limita a contas mais simples.

Em geral, professores ensinam crianças a resolverem o problema, ao invés de ensiná-las a construir um cálculo mental, um raciocínio desvinculado da simbologia, que não seja apenas semântico.

“Antes que a criança consiga dominar completamente a quantidade, antes que ela consiga sentir o que aquilo significa, ela é atropelada pelos símbolos.”, comenta Carla Tieppo.

A construção ideal da matemática é fazer o indivíduo interagir com o mundo, vivenciar os números, conhecer o que significa antes do símbolo usado para representar esse significado e só então exigir que ele evolua e passe a ter domínio das fórmulas e regras, da simbologia, a semântica da matemática. No entanto, normalmente é um processo atropelado.

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